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ALMG recebe empreendedores para debater desafios enfrentados pelas startups

24 novembro 2016

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Centenas de pessoas interessadas no empreendedorismo e na inovação se reuniram, nesta quarta-feira (23/11), para participar do primeiro dia de trabalho do Fórum Técnico Startups em Minas Gerais – A construção de uma nova política pública, em Belo Horizonte. Promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o evento será realizado até esta sexta-feira (25/11).

O objetivo é discutir propostas para aprimorar políticas de estímulo a esses empreendimentos, especialmente por meio do Projeto de Lei (PL) 3.578/16. A matéria, de autoria dos deputados Dalmo Ribeiro Silva e Antônio Carlos Arantes, trata da política estadual de estímulo, incentivo e promoção ao desenvolvimento local desse setor.

Durante a abertura, o deputado Dalmo Ribeiro afirmou que o PL 3.578/16 propõe uma lei inovadora para Minas Gerais e valorizou o fato de que nenhuma outra Assembleia Legislativa do Brasil está fazendo uma discussão aprofundada desse tema.

“Com a aprovação desta lei, Minas Gerais se coloca na vanguarda ao criar uma legislação moderna e capaz de fomentar as atividades deste modelo de negócio tão inovador servindo de exemplo para todo o Brasil”, afirmou.

Enquadramento de startups e falta de qualificação são entraves
O gerente-executivo da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), Rafael Ribeiro, reclamou que as regras para abertura e fechamento de empresas não são adequadas para as startups. Segundo ele, esses empreendimentos têm formato diferente das empresas tradicionais, com outra dinâmica e outros prazos de maturação e, por isso, precisam de regras próprias.

Outro problema retratado por ele foi a falta de mão de obra qualificada para atuar no segmento: “Só no estado de Minas Gerais, temos mais de mil vagas abertas em startups sem pessoal adequado para preenchê-las”, afirmou.

Rafael Ribeiro acrescentou que a ABStartups foi fundada em 2011, e tem 4.500 startups associadas, representando mais de 50 mil empreendedores. Entre as associadas mineiras estão a Samba Tech, de soluções para vídeo online, e a Sympla, plataforma online de ingressos. “Hoje, 43% do PIB dos EUA provém das startups. No Brasil, queremos chegar em breve a 5% do PIB”, disse.

Morte de empresas
Adriana Ferreira de Faria, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), destacou estudo da Fundação Dom Cabral sobre a mortalidade das startups no Brasil. Segundo a pesquisa, 25% delas morrem em um ano, 50% em três anos, e 75% em cinco. O levantamento aponta ainda que quanto maior o número de sócios, mais chances a startup tem de “morrer” mais rápido. Por outro lado, quando esse tipo de empresa é sediada em uma aceleradora, incubadora ou parque, a chance de se dissolver é 3 vezes menor.

Atualmente, de acordo com Adriana Faria, existem no Brasil mais de 10 mil startups, sendo que São Paulo detém 30% delas e Minas Gerais, 9%. Como fatores importantes para garantir a sobrevivência desses negócios, ela citou a boa aceitação do produto e a capacidade de adaptação de seus gestores ao mercado. Adriana ainda enfatizou que as startups B2B (que fazem transações apenas com outras empresas) tem maior facilidade para gerar receitas, ao contrário das chamadas B2C, que atuam com transações de produtos e serviços para o consumidor final.

Patentes
Tratando de patentes, Gilberto Medeiros, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), comparou o número de depósitos no Brasil com outros países. Em 2015, foram depositadas nos Estados Unidos 57 mil patentes; na China, 29 mil; e no Brasil, apenas 548. Outro ponto destacado foi que nesse número norte-americano, a maior parte provém de empresas, como IBM, Sansung, enquanto que no País, as universidades são as grandes responsáveis por patentes. “O fato é que conseguimos transformar dinheiro em tecnologia, mas não conseguimos transformar tecnologia em dinheiro”, criticou.

Gibram Raul, da Comunidade San Pedro Valley, que reúne startups na Capital, considera que está havendo uma aproximação de empresas e de universidades com as startups. Isso ocorre, segundo ele, porque as primeiras temem perder as inovações que esses empreendimentos representam; e as universidades querem usá-las como ponte entre o conhecimento e o mercado. Gibram sugere que o Estado também se integre a esse movimento.

Cultura empreendedora
Os deputados presentes elogiaram a iniciativa da ALMG, no sentido de valorizar uma cultura empreendedora no estado. Antonio Carlos Arantes leu pronunciamento do presidente Adalclever Lopes, em que destaca o segundo lugar de Minas no ranking das startups brasileiras. “Precisamos criar um marco legal que estimule esses empreendimentos. Nosso estado é o lugar certo para inovar”, concluiu.

O deputado Felipe Atiê opinou que Minas Gerais estava representada no fórum por aqueles que buscam o progresso do estado. Ele destacou a importância da vinda ao evento de israelenses, referência nesse assunto, para realçar a importância da atuação de empresas que tenham uma visão global de negócio. “Esse é um caminho que se trilha na área de tecnologia e que é necessário também em outras áreas”, analisou.

Já o deputado Gil Pereira elogiou a atuação da Assembleia. “Hoje, com a globalização, as startups são fundamentais. E Minas, como um Estado de vanguarda no País, vai abraçar a tecnologia e a inovação, para fazer avançar nosso desenvolvimento”, considerou.

Pilares para um sistema iTec
No primeiro painel do dia, Uri Adoni, membro da Jerusalem Venture Partner (JVP Media Quarter), falou sobre a experiência de Israel para desenvolver um sistema iTec, ambiente propício ao desenvolvimento da inovação tecnológica. Para ele, seis pilares foram necessários para tornar isso uma realidade naquele país: talento, investidores, empresas multinacionais, incentivos governamentais, instituições universitárias e cultura empreendedora. Mais cedo, ele havia participado de entrevista coletiva na ALMG, quando abordou o tema.

Clique aqui e veja mais fotos do primeiro dia de evento.

Fotos: Amanda Mascarenhas/ Comunicação Dalmo Ribeiro

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