Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG

O deputado Dalmo Ribeiro participou, nesta segunda-feira (13/05), de audiência pública para debater a adoção de medidas que visem à recuperação do Lago de Furnas, que se encontra com um dos níveis hídricos mais baixos de sua história. A reunião foi realizada pela Comissão de Minas e Energia. Na mesma oportunidade, foi lançada a Frente Parlamentar Presidente Itamar Franco em Defesa de Furnas.

Dados do monitoramento dos reservatórios feito pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) mostram que o nível de Furnas está em quase 50% do volume útil. Isso representa uma melhora em relação aos últimos meses, quando o índice ficou em torno dos 40%. Esse aumento no volume de entrada foi ocasionado não só pelas chuvas sobre a própria represa, mas também sobre o Rio Sapucaí, o Rio Grande, o Rio Machado e o Rio Verde, que abastecem o lago.

Em 2011, a represa atingiu a sua cota máxima, com 99,05% de volume útil em média. Dias depois, o vertedouro chegou a ser aberto para liberar o excesso de água. Desde então, isso nunca mais aconteceu.

“É uma situação preocupante, que afeta diretamente a população dos 39 municípios da região. São prejuízos ao meio ambiente, ao turismo, ao transporte de pessoas e cargas, à pesca, à piscicultura, enfim, à economia e a todo o modo de vida loca”, afirmou o deputado Dalmo.

Thayse de Castro, representante da Fecitur, reforçou que “a força do turismo na região do Lago gera emprego e renda”. Ela afirmou ainda que a baixa no nível se torna uma questão de saúde, pois a baixa da água impacta em sua qualidade, defendendo assim a Cota 762 – limite de baixa do nível para permitir as atividades de pesca, turismo e geração de energia, garantindo a economia da região de forma segura para o meio ambiente.

O gerente de programação energética e hidrometeorologia de Furnas, Marcelo de Carvalho, afirmou que a baixa no reservatório não é um problema exclusivo da hidrovia de Furnas e que há outros locais que sofrem com o problema.

Ainda em 2011, a geração média de energia foi de 668 megawatts por mês. Já em 2018, esse número caiu para 269 megawatts/mês, queda de 59,7%. Mesmo assim, o volume do reservatório está abaixo do apresentado no início da década.

Frente Parlamentar

Durante a reunião, foi lançada a Frente Parlamentar Presidente Itamar Franco em Defesa de Furnas.
O deputado Dalmo lembrou a luta do ex-presidente contra a privatização da empresa durante seu mandato como governador de Minas. “Sabemos da luta de Itamar Franco pela preservação de Furnas. Nada como saudar àquele que tanto lutou por aquelas águas”, afirmou.

Histórico

Na década de 1950, Minas, São Paulo e Rio de Janeiro estavam com sua economia ameaçada em razão do estrangulamento energético. Desde sua campanha, o presidente Juscelino Kubitschek anunciava a necessidade de investimentos na geração de energia. A solução foi a construção do que seria então a maior hidrelétrica do Brasil. Decreto de 1957 criou, então, a Central Elétrica de Furnas.

O local escolhido para a instalação da hidrelétrica foi o curso médio do rio Grande, no Sul de Minas, entre os municípios de São João Batista do Glória e São José da Barra. Em 1963, as águas do rio Grande foram desviadas para a construção da usina, começando, assim, a se formar o Lago de Furnas. As localidades mais afetadas foram a sede do município de Guapé, que ficou praticamente submersa, e o distrito de São José da Barra, que desapareceu sob as águas do lago. Novas áreas urbanas foram construídas para abrigar a população dessas duas localidades.