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Endividados, produtores rurais do Sul de MG pedem socorro

10 maio 2017

De um lado, infraestrutura de produção precária e preços que não cobrem os custos. Do outro, dívidas que se acumulam nos bancos e falta de crédito. Essa é a realidade dos horticultores do Sul de Minas, em especial daqueles que se dedicam à produção de morango, batata e brócolis. Os problemas foram relatados nesta terça-feira (09/05) em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O debate serviu como um pedido de socorro para que o poder público intervenha a tempo de evitar uma quebradeira geral entre os produtores deste importante segmento da economia mineira. Do total do PIB mineiro no ano passado (em torno de R$ 204 bilhões), a agricultura foi responsável por mais da metade desse valor: cerca de R$ 113 bilhões.

Na avaliação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater), os três produtos temas da audiência correspondem a cerca de R$ 6 bilhões, mas o impacto social da tragédia que se avizinha para os produtores não pode ser avaliado apenas por estas cifras, já que a maior parte deles são agricultores familiares.

Só a cultura do morango no Sul de Minas, que acumula 50 anos de história, reúne mais de 17 mil desses produtores e R$ 3,7 bilhões do PIB mineiro no ano passado, segundo dados apresentados pelo deputado Dalmo Ribeiro, autor do requerimento para a audiência.

Segundo o parlamentar, cada cultura tem seu drama particular. De alto investimento, o preço médio de R$ 4 a caixa de morango não cobre os custos de produção. Problema semelhante é enfrentado pelos produtores de batata, cujo preço médio caiu 57% nesta safra, em que a saca vem sendo comercializada por no máximo R$ 30. Já o que restou da produção de brócolis na região após os efeitos nocivos de uma superprodução teve quase perda total em função das chuvas.

“Essas situações impossibilitam os produtores de honrar seus compromissos, o que faz necessários a prorrogação dos débitos e novos créditos de custeio”, explicou o deputado Dalmo Ribeiro. Na avaliação do parlamentar, essas situações exigem ações, sobretudo, por parte do Banco do Brasil, responsável atualmente por 62% de crédito agrário no País. Na reunião, não foi apresentada uma estimativa do montante das dívidas pendentes dos produtores do Sul de Minas.

O parlamentar fez ainda um apelo ao Governo do Estado pela regulamentação da Lei 20.619, de 2013, resultado de projeto de sua autoria que criou o Polo de Incentivo à Cultura do Morango no Sul de Minas.

Problemas na produção estão interligados
Coube a Demétrios Tadeu Padilha, produtor rural e secretário de agricultura e meio ambiente do município de Senador Amaral, a cidade mais alta de Minas (1.505 metros de altitude), de clima frio, propício ao cultivo de morango, fazer um resumo de todos os problemas enfrentados pelo setor, quase todos interligados.

E a lista é interminável: endividamento e burocracia bancária; descapitalização dos produtores; falta de assistência técnica; infraestrutura de produção e condições sociais precárias; ausência de planejamento que garanta, entre outros itens, preços mínimos e mercado consumidor; seguro em caso de perda da safra e segurança no campo.

“Também precisamos de um centro de pesquisas. A unidade da Embrapa Hortaliças fica em Brasília, o que não representa nada para o setor. A Emater tem somente um técnico no meu município (seria necessário um para cada 200 produtores), que não dá conta nem do serviço burocrático. E tem dono de supermercado que nunca plantou nada conseguindo crédito agrícola. É preciso fiscalização”, apontou Demétrios. “Nós queremos quitar nossas dívidas, mas precisamos de condições mínimas para fazer isso”, arrematou.

BB implementa medidas para melhorar relacionamento
O gerente regional do Mercado Agro do Banco do Brasil, José Walter do Amaral, reconheceu que existem problemas, mas alegou que a instituição tem se esforçado para aprimorar o relacionamento com os produtores. Segundo ele, o banco tem atualmente R$ 16 bilhões em crédito agrário em Minas, sendo R$ 1 bilhão somente na região de Varginha (Sul de Minas), o que atestaria a parceria estreita com o homem do campo.

Entre as medidas implementadas está a descentralização da concessão do crédito, com o suporte da Emater como correspondente bancário. A meta é reduzir de três meses para 20 dias o prazo para concessão. Sobre a renegociação de débitos, segundo ele, é preciso uma intervenção no campo político, semelhante àquela que permitiu medidas emergenciais na cadeia do leite no Norte de Minas e na pecuária de corte do Norte e no Leste do Estado.

Requerimentos
No início da reunião, foram aprovados três requerimentos de audiência pública da comissão para debater os seguintes assuntos: sobre o Projeto de Integração Regional de Minas Gerais (Modal Aéreo) da Codemig; sobre a licitação para exploração das águas minerais de Caxambu, Cambuquira e Lambari; sobre o prejuízo causado nos municípios pelas feiras itinerantes, esta em conjunto com a Comissão de Defesa do Consumidor e do Contribuinte.

 

Confira a cobertura fotográfica completa.

Fotos: Ayana Braga/ Comunicação Dalmo Ribeiro.

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