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MG tem que descobrir sua vocação para investir em startups

23 novembro 2016

CNM2
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Os empreendedores brasileiros devem almejar o mercado mundial desde o nascimento de suas empresas e não concentrar esforços, primeiramente, apenas no mercado local, como ainda é o costume. O conselho foi dado pelo investidor israelense Uri Adoni, membro da Jerusalem Venture Partner (JVP Media Quarter), uma das maiores empresas do mundo especializada no investimento de capital em startups. Ele esteve na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quarta-feira (23/11), para a abertura do Fórum Técnico Startups em Minas – A construção de uma nova política. Antes da abertura, pela manhã, Uri falou com a imprensa.

Israel, um país de cerca de 8 milhões de habitantes, é o terceiro em volume de negócios na Nasdaq (bolsa de valores americana, que reúne empresas de alta tecnologia do mundo todo), atrás somente dos Estados Unidos e da China. Em número de empresas do tipo startups, Israel só perde para o Vale do Silício, nos Estados Unidos. A JVP, empresa que Uri Adoni representa, está entre os dez maiores investidores do mundo em capital de risco. O gigante Waze, um dos maiores aplicativos de trânsito do mundo, nasceu em Israel, como startup. Hoje, no país, existem mais de 300 multinacionais baseadas em tecnologia.

Investimentos em segurança cibernética, mobile, realidade aumentada, geração de energia, biotecnologia e tecnologia de armazenamento são exemplos de algumas das milhares de startups do país, que também tem o maior número de engenheiros per capita do mundo. Apesar de conhecer pouco a realidade de Minas Gerais, Uri Adoni fez outra recomendação aos mineiros: “Para incentivar o empreendedorismo e ter sucesso em startups, descubram a vocação maior do Estado, o seu diferencial competitivo”. Na opinião dele, descobrir qual é o maior “talento local” é imprescindível para atrair pessoas e investimentos para uma região.

Parceria
Os deputados Dalmo Ribeiro e Antônio Carlos Arantes, autores do Projeto de Lei 3.578/16, que pretende estabelecer um marco regulatório para incentivo ao desenvolvimento de startups em Minas, destacaram a importância de trocar experiências com Israel e convidaram o investidor a conhecer algumas empresas e regiões de Minas. Dalmo destacou que Minas Gerais será o primeiro Estado brasileiro a criar legislação específica sobre o assunto.

O deputado João Leite aproveitou as presenças também do cônsul da Missão Econômica de Israel no Brasil, Daniel Kolbar, e do presidente da Câmara Israel-Minas Gerais de Indústria e Comércio, Marcos Brafman, para pedir ajuda daquele país na importação de tecnologias que ajudem a desenvolver o semi-árido mineiro, uma vez que há semelhanças entre o clima das duas regiões. O deputado também mencionou trabalhos de pesquisa de recuperação da presença de judeus em Minas Gerais, enfatizando que a tecnologia israelense poderia ajudar na produção de documentos históricos sobre o assunto. Na área da segurança pública, ele também acredita que o Brasil pode importar soluções de Israel.

Pilares para o sucesso de uma startup
Uma empresa pode ser considerada startup se for estruturada em uma base tecnológica inovadora, se pretende desenvolver um produto ou serviço que ainda não existe no mercado e se estiver disposta a correr alto risco no mercado. Segundo Uri Adoni, além do bom produto, existem alguns pré-requisitos, baseados na experiência israelense, para que um empreendimento do tipo startup tenha sucesso: talento das pessoas envolvidas; cultura de empreendedorismo local; capital que é investido; universidade forte e que se relaciona com os empreendedores; e incentivos e apoio governamental.

O cônsul Daniel Kolbar acredita que, para o governo israelense, a chave do sucesso está em partilhar riscos com a iniciativa privada. “Fazemos isso o tempo todo. Mesmo que uma empresa com um produto inovador não dê certo, isso é valorizado pelo governo, porque essa ideia pode ser usada em outro negócio, no futuro”, disse ele.

Entre os vários tipos de incentivo dado a essas empresas em Israel citados por Uri Adoni, há um empréstimo de 500 mil dólares, com juros de 3% do montante, que a empresa só paga se o investimento for bem sucedido. Se a empresa não der certo, o empreendedor não precisa pagar ao governo. Outro programa oferece apoio para que novas empresas multinacionais se instalem nas periferias do país. Nesse caso, o governo paga 40% dos salários dos empregados da empresa por até 24 meses.

Confira a programação completa da etapa final do fórum técnico, cuja palestra de abertura será do israelense.

Foto: Ricardo Barbosa/ALMG

 

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