O projeto é uma iniciativa do deputado Dalmo Ribeiro

O projeto de lei 1077/2019, que reconhece a Rota Nhá Chica - Caminho das Virtudes como de Relevante Interesse Cultural do Estado, foi aprovado na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) desta terça-feira (29/10). A rota tem seu trajeto dividido em 11 trechos, passando por nove municípios do Sul de Minas.

A iniciativa da criação do projeto é do deputado Dalmo Ribeiro, que acredita que o reconhecimento da rota irá contribuir para o desenvolvimento do turismo e, consequentemente, da economia local. “Uma das principais atividades econômicas do Sul de Minas é o turismo, e esse projeto vem para alavancar esse setor na região. Além, claro, de dar visibilidade a rota que homenageia Nhá Chica, uma das personalidades religiosas que marcaram nosso estado”, declarou o deputado.

A rota de peregrinação religiosa possui 220 km e abrange trecho da Estrada Real entre os municípios de Tiradentes, Santa Cruz de Minas, São João del-Rei, Carrancas, Cruzília, Baependi, Caxambu, Soledade de Minas e São Lourenço.

O trajeto é dividido em 11 trechos nomeados segundo as virtudes atribuídas à Nhá Chica:

  • Castidade (de Tiradentes, passando por Santa Cruz de Minas, São João del-Rei, com 11 quilômetros);

  • Prudência (de São João del-Rei a Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno, 11 quilômetros);

  • (de Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno a São Sebastião da Vitória, 16 quilômetros);

  • Humildade (de São Sebastião da Vitória a Caquende, 22 quilômetros);

  • Fortaleza (de Caquende, passando por Capela do Saco, a Carrancas, 30 quilômetros);

  • Justiça (de Carrancas a Estação de Carrancas, 15 quilômetros);

  • Pobreza (da Estação de Carrancas à Fazenda Traituba, 20 quilômetros);

  • Obediência (da Fazenda Traituba a Cruzília, 37 quilômetros);

  • Caridade (de Cruzília a Baependi, 19 quilômetros);

  • Esperança (de Baependi, passando por Caxambu, a Soledade de Minas, 30 quilômetros);

  • Temperança (de Soledade de Minas a São Lourenço, 15 quilômetros).

Nhá Chica

Francisca de Paula de Jesus, a Nhá Chica, era filha de uma ex-escrava, e foi a primeira beata negra do Brasil. Mudou-se para Baependi, quando ainda era criança, juntamente com sua mãe, Isabel, e seu irmão, Teotônio. Aos 10 anos perdeu sua mãe e tendo apenas o irmão, de 12 anos, como família, se apegou a Nossa Senhora, de quem a mãe era devota.

Nhá Chica se dedicou à vida santa e se tornou referência de fé e caridade, sendo procurada por pessoas de todo o Brasil para receber orações e procurar ajuda. A beata, que atendia a todos com carinho e atenção, faleceu em 14 de junho de 1895.