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Startups têm potencial para mudar economia de Minas

18 maio 2016

Minas Gerais tem aproximadamente 350 startups, que são empresas ou negócios focados em inovação tecnológica e que cresceram 18% nos últimos seis meses, em pleno cenário de crise. O papel dessas empresas para o desenvolvimento do Estado e o potencial para, inclusive, mudar a matriz econômica de Minas, baseada na mineração e no agronegócio, foram os destaques da audiência pública realizada nesta terça-feira (17/05) pela Comissão de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A reunião foi solicitada pelos deputados Dalmo Ribeiro e Antônio Carlos Arantes, presidente da comissão. Dalmo afirmou já ter um anteprojeto de lei para fomento das startups no Estado. “Precisamos dessa ferramenta extraordinária e necessária para a sociedade. Queremos que vocês nos ajudem a construir essa legislação”, afirmou. O deputado foi autor do projeto que originou os Arranjos Produtivos Locais e que deve nortear a proposta para as startups, uma das demandas do setor apresentadas na reunião.

Arantes deve assinar o projeto com Dalmo, assim como um requerimento para a constituição de um grupo de trabalho para acelerar as discussões sobre a proposta de lei. “As startups são pequenas, às vezes uma pessoa só, mas desenvolvem produtos que podem mudar a realidade”, justificou Arantes.

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O quadro das startups em Belo Horizonte é relevante, conforme afirmou o presidente do conselho administrativo da Take.net. Daniel Rodrigues Costa. Segundo ele, pesquisa informal realizada no ano passado listou 54 startups em BH, com média de 3,5 anos de atividade. “Elas geram 800 empregos, têm 200 vagas em aberto, têm crescimento anual entre 30% e 60% e faturam, juntas, R$ 140 milhões. Temos uma agenda em comum, que é o fortalecimento da economia de Minas”, afirmou.

Por outro lado, segundo Gibram Raul Campos, por trabalhar com produtos e serviços de extrema incerteza, inclusive quanto à aceitação pelo mercado, essas empresas sofrem mais com as leis trabalhista e tributária e perdem potencial competitivo diante das altas taxas de importação. Também enfrentam dificuldades para conseguir financiamentos, muito vezes lastreados no faturamento da empresa. “Em Nova Iorque, há isenção de impostos para as startups nos dez primeiros anos de funcionamento. E a França está pagando para essas empresas irem para lá”, comparou o presidente da Netbee e representante da comunidade San Pedro Valley, um coletivo de empresas mineiras com essa formatação.

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Aproximação com o Estado

Uma aproximação entre as startups e o Estado, por meio da ALMG, também foi solicitada no encontro. Para o diretor-presidente do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), Ronaldo Tadeu Pena, o Poder Público deveria utilizar soluções que já estão prontas nas empresas, incentivando seu crescimento e mantendo os jovens talentos em Minas. Ele citou o exemplo de uma tecnologia para localizar o mosquito Aedes aegypti, desenvolvida no BH-TEC, e utilizada em Santos (SP), Porto Alegre (RS) e Vitória (ES), além de uma cidade próxima de Miami (EUA). “O governo de Minas e a prefeitura de BH não compraram”, afirmou.

O assessor da presidência da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Fábio Veras de Souza, defendeu uma mudança de paradigma que priorize a cultura empreendedora. “Criamos filhos para ter emprego, não para gerar valor”, afirmou.

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Secretaria destaca ações para o setor

Os projetos do Estado para as startups foram citados pelo subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Leonardo Dias de Oliveira. Há parcerias, segundo ele, em projetos com a Fapemig, a Fiemg e o Sebrae, entre outros.

Outra iniciativa mencionada foi a criação do portal do Sistema Mineiro de Inovação (Simi), justamente para agregar todas as iniciativas na área e “jogar um holofote nas ações”. Para Oliveira, esses resultados, assim como uma radiografia do setor, são essenciais para uma reivindicação de redução de impostos, por exemplo.

Experiências mundiais

O conhecimento de experiências inovadoras no mundo, inclusive para a formatação de um projeto de lei na ALMG, também foi defendido por Leonardo Fares Menhem, presidente da Fumsoft. Ele citou a criação, pela China, de um ministério do Ciberespaço, justamente pela importância estratégica das inovações tecnológicas. A Fumsoft é uma das entidades que tocam o programa MGTI, que tem, entre outras metas, colocar Belo Horizonte em primeiro lugar em TI no Brasil até 2022.

Requerimentos

A comissão aprovou dois requerimentos do deputado Antônio Carlos Arantes. O primeiro solicita visita ao Seed, um programa do governo de Minas de apoio a startups, instalado no Espaço Centro e Quatro, na Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte. O segundo requer a realização de audiência pública para debater a injeção de capital da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) no Banco Mercantil de Investimentos (BMI), controlado pelo Banco Mercantil do Brasil, por meio de oferta pública de ações.

Outro requerimento aprovado, do deputado Lafayette de Andrada, solicita audiência pública para debater a política tributária para a Região da Zona da Mata mineira.

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